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quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Espetáculo trata da criação do ser-humano por meio de mitos africanos | “Tradição Viva” Espetáculo musical celebra a Semana da Consciência Negra



"O homem é o universo em miniatura”. A partir desta frase, a companhia Foli Ayê cria seu trabalho de estreia, “Tradição Viva”, espetáculo musical sobre a história da criação do ser-humano segundo a tradição Bambara do Komo (povos do sul do Saara, antiga Barfur) e sobre a criação do planta Terra, por meio itans (mitos) dos Yorubás. Em curta temporada, a peça será apresentada entre os dias 21 a 23 de novembro, às 21 horas, na sexta e no sábado, e às 20 horas no domingo, e marca o contexto de comemoração da Semana da Consciência Negra.

A tradição do Komo vem dos povos que hoje habitam a República do Mali, país africano ocupante da África Ocidental, cujas fortes influências fincaram raízes no Brasil depois da diáspora africana. Ao longo da peça, o mito traduz o nascimento e as funções tradicionais dos orixás, recriando a concepção das religiões de matrizes africanas no Brasil.

Com texto que encanta crianças e adultos, os personagens desses mitos serão representados por bonecos e traduzem o ofício dos griôs, sábios contadores de histórias, conhecidos pela perpetuação da tradição oral. Música, dança, artes visuais, projeções e outros recursos se alinham para uma recriação lúdica da criação do planeta Terra e do homem sob a ótica dos africanos da tradição Bambara e dos povos Yorubás. A ideia do grupo é utilizar a montagem como referência para o povo brasileiro, compartilhando os conhecimentos e saberes tradicionais africanos e justificando a autenticidade cultural dos descendentes dos negros escravizados no Brasil que, em sua maioria, vieram desta região.
No mito, Maa-Ngala, o Deus-Mestre, criou vinte seres, que constituíram o conjunto do universo. Na imagem dessas vinte primeiras criaturas, Maa-Ngala notou que nenhuma estava apta a tornar-se seu interlocutor. Então, recolheu um pedaço de cada uma das criaturas, misturou tudo e criou o vigésimo primeiro ser – o homem – e deu o nome de Maa. Se Maa-Ngala era Deus, Maa era o homem, um ser que ganhou um corpo especial, vertical e simétrico, com um pouco de cada um dos outros seres existentes.
Conta-se também sobre o aparecimento das divindades Oxalá (ou Obatalá), deus da criação que instalou o seu reino em Ifé, lugar sagrado dos yorubás. Fala-se que Obatalá tinha um irmão mais jovem chamado Oduduwa, que ambicionava executar as tarefas que Olòdùmarè confiou a Obatalá e, para tanto, armou uma cilada, provocando muita sede em Obatalá, que se encontrava bastante cansado da viagem. Ao se aproximar de uma palmeira, usando seu cajado, furou a dita palmeira e bebeu o emu (vinho de palma) que jorrava. Exausto embriagou-se rapidamente e ali mesmo deitou e adormeceu. Oduduwa, que vinha de espreita na retaguarda, passou à sua frente, e tornou-se fundador dos povos yorubás.
O musical “Tradição Viva” traz grande amparo na musicalidade original dos tambores Malinké e Yorubás, somando os recursos da sonoplastia e execução de trilha sonora ao vivo com instrumentos de corda, sopro e percussão que encontram-se em conexão com os elementos terra, ar e água abordados no referido mito.

O texto do espetáculo, de autoria de Nãnan Matos, com a colaboração do diretor de cena e dos bonequeiros, é construído a partir de um diálogo entre o velho sábio Neco e a jovem Aroni, interlocutora que aprende um pouco da história de suas raízes africanas, através da contação de histórias e de danças e músicas compostas especialmente para o espetáculo. A peça apresenta ao público um diálogo entre a cultura afro-brasileira e as culturas africanas, como forma de resgate das tradições ancestrais e de fortalecimento dos fundamentos e saberes populares dos povos que formaram a identidade brasileira.
Sob a direção de Abaetê Queiroz, o espetáculo conta com os bonequeiros Fabiola Resende e Thiago Francisco e os dançarinos Louise Lucena e Rafael Portela no elenco. A direção musical de “A Tradição Viva” é de Nãnan Matos, que é acompanhada, em cena, pelos músicos André Costa, Diogo Cerrado, Dani Neri e Felipe Fiúza. A concepção e criação dos arranjos musicais são do músico paulista André Ricardo. A preparação corporal, contextualizada nos movimentos africanos dos povos do oeste e dos yorubás tem parceria e consultoria de Luciane Ramos (SP).
 A tradição Bambara do Komo confere extrema importância à kuma (palavra), atribuindo a ela não só um poder criador, mas também a dupla função de “conservar” e “destruir” a tradição, sendo a fala, por excelência, o grande agente ativo da magia africana. A concepção do projeto tem como ponto forte a valorização da transmissão de conhecimentos através da linguagem oral, forma tradicional e popular de compreensão cultural.

Assim como no Brasil, um dos grandes desafios africanos hoje é o de integração das populações mais jovens aos costumes e saberes ancestrais. Os modelos europeus colonizadores colocaram em contraponto o cartesianismo, modo particular de “pensar o mundo” e o animismo, modo particular de vivê-lo e experimentá-lo, na totalidade do ser, criando um abismo cultural entre o que se foi e o que se é.

O musical foi contemplado no edital de Montagem de Espetáculos do Fundo de Apoio à Cultura do Governo do Distrito Federal – FAC/DF. Pela estreia, o espetáculo circulará com apresentações no Plano Piloto e na Ceilândia e conta, ainda, com tradução simultânea para a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS), em sessão especial.



Ficha Técnica
Concepção, Direção Musical e Texto: Nãnan Matos
Direção de Cena e Iluminação: Abaetê Queiroz
Bonequeiros: Fabíola Resende e Thiago Francisco
Dançarinos: Louise Lucena e Rafael Portela
Arranjos e produção musical: André Ricardo
Músicos: André Costa, Dani Neri, Diogo Sousa, Felipe Fiúza e Nãnan Matos
Consultoria e preparação Corporal: Luciane Ramos
Sonorização: AudioPro
Operador de Som: Victor Valentim
Produção Executiva: Alessandra Rosa 
Produção Artística: Naimê França
Cenário e Figurino: Cyntia Carla
Assessoria de Comunicação: Um Nome Comunicação
Identidade Visual: Prila Paiva
Realização: Grupo Foli Ayê e Fundo de Apoio à Cultura do Governo do Distrito Federal

Serviço – Tradição Viva
Data: 21 a 23 de novembro de 2014
Horário: sexta e sábado às 21h e domingo às 20h
Local: Teatro Plínio Marcos – Complexo Cultural da Funarte (Via Eixo Monumental, Lote II, Setor Divulgação Cultural - Brasília, DF
Classificação indicativa: Livre
Duração: 90 minutos
Capacidade: 542 lugares
Informações: (61) 3322-2076
Ingressos: R$ 20 e R$ 10 (meia)

terça-feira, 22 de julho de 2014

Festival da Mulher Afro Latino e Caribenha | de 23 a 28 de julho de 2014





 23 DE JULHO – QUARTA-FEIRA
9h30 – Abertura
Saudação à ancestralidade
10h – Letras e Vozes da Diáspora Negra
Inaldete Pinheiro (PE) – Literatura negra infanto-juvenil
Nina Silva (RJ) – Literatura feminina negra e erotismo
Shirley Campbell Barr (Costa Rica) – Literatura feminina negra em Costa Rica e na Diáspora
Sulia Maribel Caicedo (Equador) – literatura afro-equatoriana
Mediação: Raíssa Gomes
15h – Performance Quadros, em comemoração ao Centenário de Carolina Maria de Jesus
Atrizes: Vera Lopes e Pâmela Amaro, Direção: Jessé Oliveira (RS)
16h − Conferência de Abertura – Diálogos Afro-Atlânticos
Ana Maria Gonçalves (escritora, MG/BA) − À força e a fórceps: Mulher negra
Paulina Chiziane (escritora, Moçambique) – A identidade africana e as religiões mundiais Mediação: Ana Flávia Magalhães Pinto
24 DE JULHO – QUINTA-FEIRA10h − Sabedoria ancestral: memória, política e sustentabilidade
Célia Maria Corsino (RJ/DF) – Diretora do Departamento de Patrimônio Imaterial do IPHAN
Heloisa Pires Lima (RS/SP) – Educadora, escritora e editora
Martha Rosa Queirós (PE/DF) – Chefe de Gabinete da Fundação Cultural Palmares
Mediação: Dalila Negreiros
14h − Oficina infanto-juvenil História da Princesa Alafiá (Projeto Ton Ogbon)
Sinara Rúbia e Ludmilla Almeida (RJ)
15h − Territórios Negros: fontes de sabedoria ancestral
Ângela Gomes (MG) – Engenheira Florestal e ativista do MNU-MG
Débora Marçal (SP) − Capulanas − Cia de Arte Negra, de São Paulo
Fernando Batista (PE) – Turismólogo, especialista em Baobás
Inés Morales (Equador) – Movimiento de Mujeres Negras de la Frontera de Esmeraldas (MOMUNE)
Mediação: Paula Balduino
18h30 − Exibição do curta-metragem O Dia de Jerusa, de Viviane Ferreira (BA/SP)
19h – Conferência – Nós que acreditamos na liberdade não podemos descansar: lições do
feminismo negro Patrícia Hill Collins
Mediação: Ana Cláudia Pereira
 
25 DE JULHO – SEXTA-FEIRA9h30 – Benção das águas – Lavagem simbólica com religiosas os de matriz africana
10h − Griôs da Saúde Integral
Adriana de Holanda – Psicóloga, Rede Independente Educação Griô, Grupo Semente de Jurema
Iradilva Miranda Dantas (PA) − benzedeira/curandeira e membro da Malungu − Coordenação
Estadual das Associações das Comunidades Remanescentes de Quilombo do Pará
José Marmo da Silva (RJ) − coordenador da Rede Nacional de Religiões Afro-Brasileiras e Saúde
(RENAFRO)
Mediação: Sabrina Faria
14h30 – Conferência − Legados das Ialodês: samba e resistência feminina negra
Jurema Werneck
Mediação: Christen Smith
16h30 – Panfletaço “Marcha Nacional das Mulheres Negras 2015”
17h − Lançamento de livros
Coletânea Poética, obra coletiva da Ogum’s Toques Negros
InCorPoros − nuances de libido, de Nina Silva e Akins Kintê
Pretextos de Mulheres Negras, obra coletiva organizada por Elizandra Souza e Carmen Faustino
Revista Afirmativa, um projeto dos Estudantes de Jornalismo da UFRB
Só por hoje vou deixar o meu cabelo em paz, de Cristiane Sobral
Versos de la Diaspora/Verses from the Diaspora, de Tony Polanco-Bethancourt (Panamá/EUA)
19h – Conferência − Feminismo negro e lutas mundiais por equidade Angela Davis
Mediação: Chaia Dechen
21h − Encontro de Saraus Negros no Festival Latinidades
Apresentação: Cristiane Sobral (DF)
Sarau Afro Mix / Quilombhoje (SP)
Sarau Apafunk (RJ)
Sarau Bem Black / Blackitude (BA)
Sarau da Cooperifa (SP)
Sarau da Kambinda (SP)
Sarau Super Nova (DF)
Sarauê (DF)
Sopapo Poético (RS)
Participação de poetisas e poetas da Diáspora Africana
 
26 DE JULHO – SÁBADO11h-21h − Feira Preta Latinidades
14h – Oficina Vivências do Balé, com Sinara Rúbia e Ludmilla Almeida (RJ)
16h − Oficina do Coletivo Meninas Black Power (estética e beleza negras), com Élida Aquino e Fabíola
Oliveira (RJ
17h30 – Oficina Turbantes e poéticas da beleza negra, com Nina Silva (RJ) e Marlene Tello (Colombia)
19h − Desfile: Coleção Mônica Anjos em Homenagem aos 40 anos dos Blocos Afros
19h30-2h – Show musicais
Lei di Dai (SP)
Dj Donna (DF)
Malika Tirolien (Guadalupe)
Elza Soares (RJ)
Vox Sambou (Haiti)
Homenagem ao Buena Vista Social Club com Ibrahin Ferrer Jr part. Marina de La Riva
Divas do Jazz (Ellen Oléria, Marabeau Jazz, Indiana Nomma e Alisa Sanders)

27 DE JULHO – DOMINGO11h-21h − Feira Preta Latinidades
16h Roda de Capoeira Angola com Mestra Janja e Contramestra Cristina18h-0h – Show musicais
Dona Martinha do Coco (DF)
Bongar (PE)
Bossa Negra – Hamilton de Holanda + Diogo Nogueira (DF/RJ)
Naná Vasconcellos (PE)
Cris Pereira com participação de Fabiana Cozza em: Canções para Carolina (homenagem à escritora
Carolina Maria de Jesus)
Martnália (RJ)

28 DE JULHO – SEGUNDA-FEIRA
DAS 10H ÀS 17H
Roda de Conversa, Almoço coletivo e plantio de mudas de Baobás, com Fernando Batista (PE). 

terça-feira, 20 de maio de 2014

Prêmio Lélia Gonzalez | Protagonismo de Organizações de Mulheres Negras


O Prêmio tem como objetivo promover o protagonismo e o reconhecimento  das mulheres negras  como sujeitos de direitos e protagonistas de ações de enfrentamento ao racismo e ao sexismo; a articulação entre ações destinadas às mulheres negras, em desenvolvimento na  sociedade civil e no âmbito governamental; e a disseminação de experiências inovadoras realizadas por organizações de mulheres negras. 
Lélia Gonzalez
Educadora, autora, socióloga, antropóloga, ativista política e referência teórica do Movimento Negro dos anos 1970. Neste ano de 2014, já contamos 20 anos que Lélia Gonzalez passou à condição de personalidade.  Lélia Gonzalez é destaque não apenas no combate ao sexismo, como também o é na luta contra o racismo.
Para Saber mais:

sábado, 19 de abril de 2014

Heróis Negros | Abdias do Nascimento

O movimento negro sempre existiu no Brasil, desde o período dos navios negreiros que comercializavam seres humanos como animais, até o advento contemporâneo dos rolezinhos. A luta por cidadania e visibilidade social sempre acompanharam a vida das principais lideranças negras brasileiras em todas as áreas do conhecimento humano.
Abdias do Nascimento  (1914/2011)
Doutor Honoris Causa da Universidade de Brasília Ator, autor, Professor Universitário e Parlamentar  (Deputado Federal e Senador)
Nascido em Franca ( 14 de março de 1914 — Rio de Janeiro24 de maio de 2011 ) É uma das principais referencias  na promoção da igualdade racial e  um dos maiores defensores da  cultura e identidade da  população afrodescendente do Brasil.  Nome de grande importância para a reflexão e atividade sobre a questão do negro na sociedade brasileira. Teve uma trajetória longa e produtiva, indo desde a mobilização comunitária,  passando pelo movimento integralista, desenvolveu a poesia (com a Hermandad, grupo com o qual viajou de forma boêmia pela América do Sul), até ativista do Movimento Negro,  (criou em 1944 o Teatro Experimental do Negro) e escultor
 
Após a volta do exílio (1968-1978), insere-se na vida política (foi deputado federal de 1983 a 1987, e senador da República de1997 a 1999 assumindo a vaga após a morte de Darcy Ribeiro), além de colaborar fortemente para a criação do Movimento Negro Unificado (1978). Em 2006, em São Paulo, criou o dia 20 de Novembro como o dia oficial da consciência negra. Recebeu o título de doutor honoris causa da Universidade de Brasília. Autor de vários livros: "Sortilégio", "Dramas Para Negros e Prólogo Para Brancos", "O Negro Revoltado", e outros.
Foi também professor benemérito da Universidade do Estado de Nova Iorque.
O documentário acima é de fundamental importância para a compreensão do seu legado para o povo brasileiro.  Esta postagem inaugura a página Heróis Negros.